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Os Três Fatos
Jane Street deletou todos os tweets. Um processo federal acusa a empresa de insider trading. O Bitcoin subiu 10% em um único dia. Esses três fatos estão conectados.
Em 23 de fevereiro de 2026, o administrador judicial da falência da Terraform Labs entrou com uma ação na justiça federal de Manhattan contra a Jane Street Capital. A alegação: a mesa de trading mais lucrativa do planeta usou informação privilegiada para evitar mais de US$ 200 milhões em perdas e lucrar com o colapso da UST, enquanto investidores de varejo perderam US$ 40 bilhões.
No mesmo dia, a conta oficial da Jane Street no X (@JaneStreetGroup) passou a exibir zero posts. Tudo deletado. Uma conta com 11.300 seguidores, ativa desde junho de 2018, zerada da noite pro dia.
Horas depois, uma fonte com histórico de informações verificadas postou: "Me disseram para não publicar isso. Mas o amigo baleia que me avisou sobre o dump da última vez ligou e disse que a Jane Street está em sérios problemas. Estão ativamente destruindo provas de manipulação enquanto a situação piora para eles."
Destruição de provas ou limpeza de rotina? Cada um tire sua conclusão. Mas o timing é, no mínimo, curioso.
No dia seguinte, o Bitcoin subiu 10%. O "dump das 10h" (que analistas documentaram durante meses) simplesmente não aconteceu.
Se você acha que isso tudo é coincidência, este artigo vai mudar a forma como você enxerga a formação de preço do Bitcoin.
Tudo que você vai ler aqui vem de fontes públicas: processos judiciais, filings regulatórios, dados de mercado e reportagens investigativas. Conectar os pontos é a parte que ninguém faz.
Vamos conectar.
O Processo
A Terraform Labs faliu em 2022. US$ 40 bilhões evaporaram em 72 horas quando a stablecoin algorítmica UST perdeu o peg. Alguém lucrou com esse colapso. O administrador judicial acha que sabe quem.
O processo, protocolado no tribunal federal do Distrito Sul de Nova York, apresenta uma narrativa detalhada. Segundo a acusação, a Jane Street teve acesso antecipado a informações sobre um saque de 150 milhões de UST do pool Curve3pool. Minutos depois dessa movimentação, a Jane Street teria despejado 85 milhões de UST no mercado, acelerando o descolamento do peg.
O resultado: a Jane Street evitou mais de US$ 200 milhões em perdas e lucrou com o colapso. Investidores de varejo que seguravam UST e LUNA perderam US$ 40 bilhões.
A Jane Street chamou o processo de "desesperado" e "infundado". É a resposta padrão. Toda empresa acusada de manipulação chama a acusação de infundada até o momento em que paga a multa.
O que torna esse caso diferente é o precedente. Em 2024, reguladores indianos (SEBI) concluíram que a Jane Street manipulou derivativos de índices na Índia, extraindo aproximadamente US$ 4,3 bilhões ao longo de dois anos através de posições em opções de índice que exploravam assimetrias regulatórias entre mercados.
Dois continentes. Dois mercados diferentes. O mesmo padrão: usar vantagem informacional e velocidade de execução para extrair bilhões enquanto o restante do mercado absorve o prejuízo.
E essa é a empresa que a BlackRock escolheu como um dos 9 Authorized Participants do IBIT, o maior ETF de Bitcoin do mundo.
O Dump das 10h
Analistas de mercado documentaram um padrão que se repetiu durante todo o segundo semestre de 2024 e o ano de 2025. O Bitcoin subia durante as sessões asiática e europeia. Às 10h EST (horário de abertura dos mercados americanos), caía.
O padrão era tão consistente que traders começaram a chamá-lo de "the 10am dump". Justin Bechler (@1914ad no X) foi um dos primeiros a documentar a regularidade estatística dessas vendas.
O mecanismo proposto é direto. Como Authorized Participant do IBIT, a Jane Street tem visibilidade antecipada sobre os baskets de criação e resgate do ETF. Isso significa que ela sabe, antes do mercado, se haverá pressão compradora ou vendedora no dia seguinte.
A dinâmica funciona assim: durante a noite (sessão asiática e europeia), o AP acumula Bitcoin no mercado spot quando a liquidez é menor e os spreads são mais favoráveis. Às 10h EST, quando o mercado americano abre e a liquidez de futuros aumenta, a mesa executa vendas agressivas no spot enquanto mantém posições vendidas em derivativos (futuros, opções, swaps).
A venda agressiva no spot empurra o preço para baixo. A queda de preço aciona liquidações de posições alavancadas de varejo (traders com posições compradas em futuros perpétuos). Cada liquidação gera mais venda forçada. O preço cai mais. Mais liquidações. Cascata.
O AP lucra duas vezes: uma na arbitragem entre acumulação noturna e venda na abertura, outra nas posições vendidas em derivativos que se beneficiam da cascata de liquidações.
Quando o processo contra a Jane Street se tornou público, o dump das 10h não aconteceu. O Bitcoin subiu 10% em um dia.
Correlação não implica causalidade. Mas quando a correlação se repete centenas de vezes e para exatamente quando o acusado é processado, o ônus da prova muda de lado.
Os 9 APs do IBIT
A BlackRock não escolheu 9 empresas aleatórias para serem os gatekeepers do maior ETF de Bitcoin do mundo. Escolheu 9 empresas com um histórico documentado e público de manipulação de mercado.
Aqui estão os 9 Authorized Participants do IBIT, com o histórico regulatório relevante de cada um:
| AP | Histórico Regulatório |
|---|---|
| Jane Street Capital | Processo federal por insider trading no colapso Terra/LUNA (2026). Reguladores indianos identificaram manipulação de derivativos de índice, com extração de ~US$ 4,3 bilhões em 2 anos. |
| JP Morgan | Multa de US$ 920 milhões (2020) por spoofing no mercado de metais preciosos. Traders condenados criminalmente por manipular preços de ouro e prata durante anos. |
| Goldman Sachs | Manipulação de commodities (alumínio, energia). Papel central no escândalo 1MDB, com multa de US$ 2,9 bilhões. Histórico de front-running de clientes. |
| Citadel Securities | Controvérsia de order flow no episódio GameStop (2021). Citadel recebia ordens de varejo da Robinhood e executava contra seus próprios clientes. Investigação do Congresso americano. |
| Citigroup | Manipulação da LIBOR. Fraude no mercado de câmbio (FX). Múltiplas multas bilionárias ao longo de duas décadas. |
| UBS | Manipulação da LIBOR (multa de US$ 1,5 bilhão). Lavagem de dinheiro. Evasão fiscal para clientes americanos (multa de US$ 780 milhões). |
| Virtu Americas | Lucrou em 1.237 de 1.238 dias de trading. Estatisticamente impossível sem vantagem estrutural. Modelo de negócios baseado em front-running via velocidade de execução (HFT). |
| Macquarie | Manipulação de commodities na Austrália. Multas por práticas abusivas no mercado de energia. |
| ABN AMRO | Multa de US$ 574 milhões por lavagem de dinheiro (2021). Falha sistemática em compliance de KYC/AML durante anos. |
Nove empresas. Todas com histórico documentado de manipulação, fraude ou práticas abusivas de mercado. Todas com multas bilionárias pagas (e absorvidas como custo de operação). Todas escolhidas pela BlackRock para intermediar o fluxo de compra e venda do IBIT.
Os 9 APs têm visibilidade privilegiada sobre os fluxos de criação e resgate de cotas do ETF. Quando um grande investidor institucional quer comprar US$ 500 milhões em IBIT, o AP sabe disso antes do mercado. Quando um fundo quer resgatar, o AP sabe antes do mercado.
Essa informação vale bilhões. E está nas mãos de empresas que, historicamente, não demonstraram nenhum constrangimento em usar informação privilegiada para lucrar.
A Oferta Sintética Ilimitada
Bitcoin tem uma oferta fixa de 21 milhões de unidades. Derivativos de Bitcoin não têm limite nenhum.
Segundo o 13F mais recente, a Jane Street detém US$ 790 milhões em cotas do IBIT. No papel, é uma posição comprada. Bullish.
O que o 13F não mostra: opções de venda (puts), futuros vendidos na CME, swaps OTC com contrapartes não divulgadas. Qualquer uma dessas posições pode compensar ou até reverter a exposição aparente de US$ 790 milhões.
Ou seja: a Jane Street pode estar simultaneamente comprada em US$ 790 milhões de IBIT (visível no 13F) e vendida em US$ 2 bilhões de Bitcoin via derivativos (invisível). O mercado vê a posição comprada e interpreta como sinal bullish. A posição real pode ser massivamente bearish.
O cap de 21 milhões de unidades perde relevância quando market makers podem fabricar oferta sintética ilimitada através de derivativos não divulgados, empilhados sobre o inventário do próprio ETF que eles administram.
Isso não deveria surpreender ninguém. É o mecanismo idêntico que os compradores de ouro físico alegam há décadas sobre o COMEX. A quantidade de ouro "de papel" negociada na COMEX excede em dezenas de vezes o estoque de ouro físico disponível para entrega. O mercado de papel determina o preço. O mercado spot apenas segue.
Com Bitcoin, a situação é estruturalmente igual. O volume de derivativos de Bitcoin (futuros, opções, perpétuos) supera o volume spot em múltiplas vezes. O preço "do Bitcoin" que você vê no seu aplicativo não é o preço do Bitcoin. É o preço do derivativo mais líquido de Bitcoin.
Um dado concreto que ilustra a pressão no lado vendido: a MicroStrategy (MSTR), a empresa com maior exposição a Bitcoin no mercado público, é a ação mais vendida a descoberto (short) dos Estados Unidos. São 14% do market cap, equivalentes a US$ 4,8 bilhões em apostas contra a empresa. Apostar contra a MSTR é apostar contra o preço do Bitcoin. E as maiores mesas de trading do mundo estão fazendo exatamente isso.
A Mola Comprimida
Cada dia que os 9 APs suprimem o preço, eles comprimem a mola um pouco mais. E a física de mercado é clara: quanto mais comprimida a mola, mais violenta a liberação.
Do lado da oferta real, tudo aperta. O halving de 2024 reduziu a emissão de novos bitcoins para 3,125 BTC por bloco (450 BTC por dia). Michael Saylor, via MicroStrategy, acumulou mais de 717 mil BTC, que ele declara publicamente que nunca vai vender. Saques de exchanges para autocustódia atingem máximas históricas trimestre após trimestre.
Do lado da oferta sintética, os APs continuam fabricando derivativos sem limite. Futuros. Opções. Swaps. Contratos perpétuos. Cada um desses instrumentos cria "Bitcoin de papel" que pressiona o preço para baixo sem que nenhum Bitcoin real seja vendido.
O resultado é um gap crescente entre o preço do mercado de papel e o que seria o preço de equilíbrio se apenas Bitcoin real fosse negociado. Ninguém sabe exatamente qual é esse gap. Mas sabemos que ele existe e que está se expandindo.
O Precedente Soros
Em 1992, George Soros quebrou o Banco da Inglaterra. O mecanismo é instrutivo.
O governo britânico tentava manter a libra esterlina dentro de uma banda cambial fixa contra o marco alemão (o Exchange Rate Mechanism). O mercado achava que a libra estava sobrevalorizada. O governo gastava reservas para defender a banda. Soros concluiu que as reservas eram finitas e a vontade política era frágil.
Soros montou uma posição vendida de US$ 10 bilhões contra a libra. O Banco da Inglaterra tentou defender. Gastou reservas. Subiu juros. Nada funcionou. Em 16 de setembro de 1992 (a "Quarta-feira Negra"), o governo britânico desistiu. A libra despencou. Soros lucrou US$ 1 bilhão em um dia.
A lição: quando alguém defende um preço artificial com recursos finitos contra um mercado com convicção, o mercado sempre vence. A questão é apenas de timing.
O equivalente Bitcoin: alguém (ou um grupo) compra Bitcoin agressivamente contra as posições vendidas dos APs. Os APs tentam suprimir o preço com mais derivativos. Mas Bitcoin real é finito. Em algum momento, as vendas de papel precisam ser cobertas com Bitcoin que não existe no mercado. Os shorts quebram. O preço dispara.
A matemática favorece o comprador, não o vendedor. Sempre. Porque a oferta real de Bitcoin tem um teto fixo, e a demanda não tem.
E Se Um Soberano Decidir?
Este é o exercício intelectual que deveria tirar o sono de qualquer AP com posição vendida em Bitcoin: o que acontece se um Estado soberano, com capacidade ilimitada de impressão monetária, decidir fazer o squeeze?
Considere a China. O PBOC pode imprimir yuan sem limite. Através de intermediários em Hong Kong, Singapura e Dubai, pode comprar Bitcoin via mesas OTC sem que nenhuma exchange registre a operação publicamente. As transferências vão para cold wallets não identificadas.
Hoje existem aproximadamente 3 milhões de BTC em exchanges (dados CryptoQuant). A preços atuais, isso equivale a cerca de US$ 210 bilhões. US$ 50 a 100 bilhões em compras graduais ao longo de 2 meses compraria entre 725 mil e 1,45 milhão de BTC, removendo 24% a 48% de todo o estoque disponível. Com a profundidade do order book sendo rasa (Binance mostra menos de US$ 4 milhões dentro de 10 pontos base do mid-price), o impacto no preço seria catastrófico para quem está do lado vendido. Os APs seriam forçados a cobrir posições vendidas com Bitcoin que está desaparecendo do mercado. Prejuízos de dezenas de bilhões para Wall Street.
A China sequer precisaria revelar que fez isso.
Outros candidatos: fundos soberanos do Golfo (Abu Dhabi, Arábia Saudita, Qatar), a Rússia (que já demonstrou disposição para usar ativos financeiros como arma geopolítica), um bilionário com uma vendetta contra o sistema financeiro tradicional, ou um consórcio de mineradores que decide reter produção.
O fato de que ninguém fez isso ainda significa uma de duas coisas. Ou ninguém teve a coragem e o capital necessários. Ou alguém já está fazendo e ainda não revelou.
Olhe para os fluxos de OTC no último ano. Olhe para os saques de exchanges. Olhe para o acúmulo de endereços com mais de 1.000 BTC. Os dados estão aí. A interpretação fica com cada um.
A Saída
A única saída real desse jogo é autocustódia.
Tire o Bitcoin das exchanges. Tire dos ETFs. Quando Bitcoin está em uma exchange ou em um ETF, ele pode ser emprestado, re-hipotecado, usado como colateral para posições vendidas. Cada BTC que fica em custódia de terceiros é munição para a oferta sintética.
Se não há Bitcoin disponível para emprestar, não há colateral para fabricar oferta sintética. A mola perde o mecanismo de compressão.
Autocustódia em massa, no entanto, exige um nível de consciência financeira que provavelmente não vai atingir a maioria dos detentores de Bitcoin. A maioria vai continuar em exchanges. A maioria vai continuar comprando ETF. E os APs vão continuar usando esse inventário como ferramenta de supressão.
O que é mais provável:
- Saylor: continua comprando e nunca vende. 717 mil BTC fora de circulação, com plano declarado de chegar a 1 milhão.
- Competição soberana: nações com incentivo geopolítico contra os EUA (China, Rússia, Golfo Pérsico) começam a acumular Bitcoin silenciosamente. Não conte com os EUA nessa lista, porque o governo americano e Wall Street são os mesmos donos. A "reserva estratégica" americana é vitrine, não acumulação genuína. O catalisador vem de quem quer enfraquecer o dólar, não de quem o controla.
- Matemática do halving: a cada 4 anos, a emissão cai pela metade. A oferta nova atual é de 450 BTC por dia. Em 2028, serão 225. A demanda não segue essa mesma trajetória descendente.
A mola está comprimida. Ninguém sabe quando ela vai ser liberada. Mas a matemática é inequívoca: oferta finita versus papel infinito. Um dos dois vai quebrar. E historicamente, sempre é o papel.
Para quem entende isso, a resposta é sempre a mesma. Autocustódia, multisig, paciência.
O mercado de papel pode suprimir o preço por meses, talvez anos. Mas não pode mudar a aritmética. 21 milhões. Ponto. E cada bloco minerado torna essa realidade mais concreta e mais irreversível.
Os 9 APs do IBIT são os mesmos tipos de instituições que manipularam o ouro, a LIBOR, o câmbio e os derivativos de índice. Eles estão fazendo com Bitcoin o que sempre fizeram com todo ativo que passaram a intermediar. A diferença é que, com Bitcoin, a oferta não pode ser expandida por decreto, por mineração industrial ou por decisão de banco central.
A mola vai soltar. A questão é se você vai estar do lado certo quando acontecer.
Fontes
- Bloomberg: Terraform Labs sues Jane Street over UST collapse
- CoinDesk: Jane Street accused of insider trading in Terraform lawsuit
- Yahoo Finance: MicroStrategy becomes most shorted stock in America
- Justin Bechler (@1914ad): Análise de padrões de venda sistemática no mercado de Bitcoin
- CoinDesk: These are the authorized participants for the new spot Bitcoin ETFs
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